A Sétima Lança

“Quando a Primeira Lança avança, você prepara as defesas. Quando a Quarta Lança ataca, você reza aos Vigilantes. Mas quando os estandartes da Sétima escurecem o horizonte… você apenas cava a sua cova.” — Ditado comum entre os clãs de Urgun’tak.

O exército do Reino de Qephiudur é uma máquina de guerra monumental, metodicamente dividida em regimentos conhecidos como “Lanças”. Por muito tempo, cada Lança possuía um propósito estratégico claro — vanguarda, cerco, artilharia arcana. Contudo, sob o comando do General Aeltharion Duskwielder, a Sétima Lança deixou de ser apenas uma divisão militar para se tornar um mito encarnado.

Hoje, eles são a elite incontestável da Coroa, uma entidade que transcende seu propósito original tanto na brutalidade prática dos campos de batalha quanto no imaginário do público. Para o cidadão comum de Rapioge, eles são heróis imaculados, o escudo de aço e magia que mantém os “selvagens” afastados. Para os inimigos, são a personificação do fim. Pelo povo, eles são chamados de simplesmente “Os Sétimos”.

A Estética do Fim

Os soldados da Sétima Lança não marcham; eles deslizam pelo campo de batalha com uma sincronia letal e silenciosa que beira o antinatural. Suas armaduras são forjadas em aço escurecido, projetadas para absorver a luz em vez de refleti-la, com filigranas de prata que lembram raízes ou veias envolvendo o metal. O ar ao redor de um batalhão da Sétima é sempre estranhamente frio, carregando o cheiro de ozônio e cinzas, mesmo antes das magias de guerra serem conjuradas.

O Anel de Prata

A marca registrada de um soldado aceito na Sétima Lança é o Anel de Prata: uma banda de prata maciça no dedo, cravada com um pequeno cristal opaco que, conforme absorve almas, escurece e ganha tons cada vez mais roxos. Para as tropas e para o público, o anel é apenas uma honraria — símbolo de status e lealdade absoluta ao “Ceifador de Almas”. A verdade, no entanto, é o segredo mais obscuro de Qephiudur.

As anotações de Lorde Tiberius Vance (encontradas em seu diário no Castelo Valmont) revelam que os anéis da guarnição brilham com uma energia misteriosa durante as execuções — deixando em aberto a verdadeira índole e os objetivos ocultos da tropa.

A Colheita Invisível

A Sétima Lança não ganha batalhas apenas por disciplina; eles são, sem saberem, as gadanhas de um ritual massivo.

O General Aeltharion forjou os Anéis de Prata como condutores cármicos para o seu Cálice de Equilíbrio. Pela Lei da Causalidade — um princípio regido pelos próprios deuses do destino —, quando um soldado da Sétima tira uma vida sob as ordens diretas de Aeltharion, o peso dessa morte é debitado na conta do General. O sangue mancha a terra, mas a essência espiritual, a “fumaça da vida”, é sugada imperceptivelmente pelo cristal do anel no instante da morte.

Os soldados acreditam que a frieza que sentem ao matar é apenas o peso do dever. Eles não sabem que o Anel de Prata drena não só a essência das vítimas, mas também as emoções e a empatia do próprio portador — cada morte sob ordem de Aeltharion apaga um pouco mais do que restava de humanidade no soldado, transformando-o numa máquina focada, isenta de sadismo ou crueldade voluntária. Eles não matam por prazer; matam porque deixaram de sentir outra opção. São heróis ocos, peões em uma necromancia disfarçada de patriotismo.

Os Soldados Perfeitos

Para o público de Qephiudur, a Sétima Lança são os Soldados Perfeitos: disciplina cirúrgica, pragmatismo absoluto e ausência total de sadismo. Eles não torturam, não zombam dos mortos e não prolongam o sofrimento por diversão. Quando recebem ordem de eliminar uma ameaça, executam com eficiência mecânica — nem mais, nem menos. Essa frieza não vem de maldade consciente, mas do vácuo emocional que o Anel de Prata esculpe aos poucos em cada portador.

Atuação em Campo

Eles são enviados apenas para as frentes mais sangrentas e para situações onde a diplomacia de Ardan Lothear falhou. Quando a Sétima Lança entra em uma cidade ou em uma ruína, não há negociação: a ordem é imposta com força absoluta e precisão tática, sem capturas para resgate quando a missão exige expurgo total.

Confronto em Amigliara

Durante a declaração de Zona de Expurgo sobre Amigliara, o grupo de aventureiros enfrentou soldados da Sétima Lança tanto nos arredores quanto dentro da cidade.

Nos portões, testemunharam e combateram uma patrulha que executou uma refugiada à lançada — confirmando, no instante da morte, a extração violenta da fumaça da vida (a essência espiritual da vítima) diretamente para o Anel de Prata no dedo do executor. O cristal opaco piscou e ganhou um tom roxo mais intenso. Mais adiante, nas ruas sob lei marcial, abateram guardas avistados antes que reforços pudessem ser alertados.

O confronto provou na prática o que os arcanistas suspeitavam: o anel não é mera honraria. É um condutor ativo que colhe almas no exato momento em que a vida se extingue.